domingo, 25 de agosto de 2013

A morte impulsionando a literatura


Recentemente li no site do jornal Correio Braziliense que um grupo de poetas e escritores promovem encontros para falar sobre a morte. A ideia é de Renato Fino, autor de “Debaixo do céu do seu vestido”, que batizou o evento como Noites Mortas. Uma vez por mês, o grupo se reúne com o objetivo de falar da morte, fazer leitura de poemas, contos e crônicas ligados ao tema e apresentar performances e intervenções.

Quem nunca sentiu angústia ao pensar na morte e no que ela pode representar? Quem também nunca pensou em morrer para acabar com a dor? Ainda que não saibamos nada sobre a morte e quais os benefícios (?) que ela possa trazer, ainda reina em nosso imaginário uma espécie de sono apaziguador que possa dar cabo de todo sofrimento, apesar de que, para nosso inconsciente, somos todos imortais.

Há um velho clichê que diz que a morte é a única certeza da vida. Mas essa definição é uma verdade existencial inescapável. Portanto, fundamental. A consciência do fim é algo que se impõe a cada um como destino individual e inevitável. Talvez por ser o grande mistério de toda uma vida, a morte tem sido um tema recorrente na história da literatura. Muitos autores, internacionais e nacionais, têm utilizado a finitude humana para compor o drama principal de seus personagens.

Na literatura nacional destaco dois jovens e promissores autores que vêm marcando espaço na literatura contemporânea: André de Leones e Carlos de Brito e Mello que, em 2011, estiveram presente na nona edição da Festa Literária Internacional de Paraty, numa mesa intitulada Escritas da Finitude.

André de Leones, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2005 com o romance “Hoje está um dia morto”, destaca a influência da morte em suas obras. Sua escrita constrói mundos em estágio terminal e parece contaminar-se pelos dilemas existenciais que apresenta. Em seu livro mais recente, “Terra de casas vazias”, um ponto em comum em todas as histórias que se entrelaçam, é o enfrentamento das perdas, os processos de luto que a estas acompanham e a consciência de que enquanto vivermos essas perdas serão constantes.

“A passagem tensa dos corpos” (livro finalista dos prêmios São Paulo, Jabuti e Portugal Telecom em 2010), de Carlos de Brito e Mello é, na minha opinião, um dos romances mais geniais de todos os tempos. Absurdamente original o narrador desta história, que não tem sua origem e constituição claramente definida, tem de ir percorrendo cidades de Minas Gerais, colecionando registros de falecimentos, com o objetivo de readquirir forma humana, utilizando como meio para discrição das mortes que encontra pelo caminho a própria linguagem:

“Toda palavra proferida ao redor da morte comporta, pelo menos, um fonema enlutado, e as perturbações de fala são formas pelas quais morrer obseda a língua.”

Carlos de Brito e Mello destaca que “apesar de tudo, narrar é a única opção que nos resta, antes de sermos tomados por ela.”

A morte, como desespero universal, continuará inspirando a literatura por ser, a priori, um tema complexo, misterioso, que não pode ficar restrito ao campo das religiões e da fé e que, irremediavelmente, afeta a todos.

De forma magistral, assim discorre sobre a morte o psicanalista e filósofo Ernest Becker em seu livro “A negação da morte” (vencedor do prêmio Pulitzer de 1974): “Como deve ser doce abrir mão do colossal fardo de uma vida de autodomínio, autoformação, relaxar a crispação com que a pessoa se agarra ao seu próprio centro e ceder passivamente a um poder e a uma autoridade superiores, e que alegria nessa rendição: o conforto, a confiança, o alívio no peito e nos ombros da pessoa, a leveza do coração, a sensação de estar sustentado por algo maior, menos falível. Com os seus problemas característicos, o homem é o único animal que pode, muitas vezes de bom grado, abraçar o profundo sono da morte, mesmo sabendo que isso significa o esquecimento.”



domingo, 30 de junho de 2013

duas grandes surpresas


a vida é apenas um acidente de percurso.
de repente, nascemos. sem darmos conta de como isso acontece.
e surpresos, morremos.
sim, porque nascimento e morte são as duas grandes e definitivas surpresas da vida.

sábado, 22 de junho de 2013

O amor é imperfeito


Fique triste quando não puder evitar.
Diga que ama a quem de fato ama.
Faça amigos a perder de vista,
mas não se prenda a pessoas
que nada acrescentam.
Fique só para aproveitar a própria companhia.
Faça o que tiver vontade.
Arrependa-se o menos possível.
Porque uma vida sem arrependimentos
é praticamente impossível!
Fale o que pensa, mas opte pelo silêncio
quando o diálogo não for interessante.
Nem todos estão preparados para te ouvir.
Cante ainda que desafinado.
Sorria em frente ao espelho.
Seu rosto será sempre seu reflexo imediato.

Chore quando sentir saudades.
Existem pessoas que partiram cedo demais.
Ignore a auto-censura em demasia.
Procure ser mais leve.
Mesmo quando tiver a impressão de que todas
as dores do mundo estão sobre seus ombros.
Pule de alegria quando ouvir no rádio
uma música que lhe lembre dias do passado.

O amor é imperfeito.
A vida é imprevisível.
Mas a escolha é sempre nossa.

domingo, 9 de junho de 2013


Se julga ainda não ter encontrado um amor,
viva como se estivesse a se preparar continuamente
para quando esse momento chegar.
O amor reside muito mais na esperança
do que na realidade em si.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Noite de autógrafos do meu novo romance


Convido a todos para a noite de autógrafos do meu terceiro romance :
"AMOR EM TEMPOS DE SOLIDÃO"

Vinho; exibição de trechos do filme "As Horas"; 
Um bate-papo descontraído sobre o processo de construção do livro (e suas consequências);
E mais vinho, até que sequem todas as garrafas.

Eis os protagonistas deste livro: um estupro, uma criança com paralisia cerebral (e que, misteriosamente, deixa de crescer aos dois anos de idade), uma profunda depressão e o amor (o abstrato e simbólico amor) como única fonte de cura, perdão e redenção.

"O amor é imperfeito.
A vida é imprevisível.
A escolha é nossa..."

Dia 7 de junho as 19h, no Espaço GLIA.
Rua Dr. Nilo Peçanha, 142 - Ingá - Niterói.