segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Lista completa dos 43 livros que li em 2012


1 – O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO, de José Saramago;
2 – A CAIXA-PRETA, de Amós Oz;
3 – A DISTÂNCIA ENTRE NÓS, de Thrity Umrigar;
4 – PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN, de Lionel Schriver;
5 – O LIVRO DO DESASSOSSEGO, de Fernando Pessoa;
6 – O MUNDO PÓS-ANIVERSÁRIO, de Lionel Schriver;
7 – OUTRAS VIDAS QUE NÃO A MINHA, de Emanuel Carrère;
8 – A DOÇURA DO MUNDO, de Thrity Umrigar;
9 – O ANIMAL AGONIZANTE, de Philip Roth;
10 – A PAIXÃO SEGUNDO G.H., de Clarice Lispector;
11 – O SEMINARISTA, de Rubens Fonseca;
12 – O NOSSO REINO, de Valter Hugo Mãe;
13 – PATRIMÔNIO, de Philip Roth;
14 – RIMAS DA VIDA E DA MORTE, de Amós Oz;
15 – FIM DE CASO, de Graham Greene;
16 – O FILHO DE MIL HOMENS, de Valter Hugo Mãe;
17 – EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DE SEUS LINDOS LÁBIOS, de Marçal Aquino;
18 – TIA JÚLIA E O ESCRIVINHADOR, de Mario Vargas Llosa;
19 – DOIS RIOS, de Tatiana Salem Levy;
20 – CABINE INDIVIDUAL, de Gracinda Rosa;
21 – TEMPO É DINHEIRO, de Lionel Schriver;
22 – A PASSAGEM TENSA DOS CORPOS, de Carlos de Brito e Mello;
23 – HOJE ESTÁ UM DIA MORTO, de André de Leones;
24 – BONSAI, de Alejandro Zambra;
25 – A PAREDE NO ESCURO, de Altair Martins;
26 – A VISITA CRUEL DO TEMPO, de Jennifer Egan;
27 – DENTES NEGROS, de André de Leones;
28 – ENQUANTO ÁGUA, de Altair Martins;
29 – O COMPLEXO DE PORTNOY; de Philip Roth;
30 – O EXISTENCIALISMO É UM HUMANISMO, de Jean-Paul Sartre;
31 – SAGRADA FAMÍLIA, de Zuenir Ventura;
32 – AMSTERDAM, de Ian McEwan;
33 – CIDADE ABERTA, de Teju Cole;
34 – MOSAICO VIVO, de Cristiana Seixas;
35 – O TODO COTIDIANO, de Zoé Valdés;
36 – Mrs. DALOWAY, de Virgínia Woolf;
37 – VIRGEM LOUCA, LOUCOS BEIJOS, de Dalton Trevisan;
38 – PRINCESA DE GELO, de Thayane Gaspar;
39 – O QUARTO DE JACOB, de Virgínia Woolf;
40 – CARTAS A UM JOVEM POETA, de Rilke;
41 – AFORISMOS PARA A SABEDORIA DE VIDA, de Arthur Schopenhauer;
42 – VERMELHO AMARGO, de Bartolomeu Campos de Queiroz; e
43 – LIBERDADE, de Jonathan Franzen.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Um novo romance em construção


Lembro-me perfeitamente
do dia em que a vi pela primeira vez.
Apaixonei-me.

Em seu rosto, uma mutilação.
Parte de sua orelha decepada ficava visível.
Em lugar do cabelo você tinha um lenço
florido a cobrir o alto de sua cabeça.
Nunca tentei imaginar
como você ficaria se tivesse cabelos.
Sempre preferi os lenços com estampa de flores.

Nenhuma outra mulher havia me atraído tanto quanto você.
Tendo entender porque.
E compreendo.

Você era imperfeita.
Linda, mas imperfeita.
Seu rosto era carregado de tragédias.
Bastava encará-la para poder identificar
Resquícios de uma tragédia.
Assim como eu, você trazia um selo de identificação.

Éramos monstros a sobreviverem
num mundo certinho demais, que sempre desprezei.
Eu te amei e você correspondeu o meu amor.

Uma pena que acabou.
Uma pena...
- mike sullivan -

terça-feira, 6 de novembro de 2012

ESCRITAS DA FINITUDE

Com certeza, o melhor livro que li este ano. "A passagem tensa dos corpos", de Carlos de Brito e Mello foi a grande surpresa de 2012.



Construído de forma original, com 156 capítulos curtos, A passagem tensa dos corpos trata de um tema consagrado, a morte, com uma abordagem e ambientação surpreendentes.
O narrador-personagem, figura indefinível e incorpórea, não é visto nem percebido por ninguém. Sua principal ocupação é percorrer cidades e registrar as mortes que encontra pelo caminho. Numa dessas localidades, há um morto insepulto, cuja família não parece disposta a velar ou enterrar. Como se nada tivesse acontecido, o cadáver é mantido amarrado à cadeira na mesa da sala, a esposa e a filha se ocupam dos preparativos para o casamento da menina, e o filho do morto permanece trancado no quarto.
Se a civilização se ergue sobre uma pilha de cadáveres soterrados, também a vida de cada um precisa da morte para se constituir. Diante da situação surreal testemunhada na casa, o narrador aos poucos se dá conta de que para existir de fato, necessita, ele mesmo, se apropriar de um dos corpos que registra.
Carlos de Brito e Mello lança mão de uma linguagem fragmentada e precisa para imprimir ao romance um andamento trepidante e acelerado. Ironia e humor negro bem medido também compõem esta narrativa sobre a morte e sua relação com a memória, a linguagem e o ofício de narrar.


sábado, 27 de outubro de 2012

MEU NOVO LIVRO PRONTO!!!


        Com Ester tão perto, sentindo de leve um aroma que sua proximidade favorecia, Adriano Louback fantasiou: os dois juntos morando numa casa de um cômodo só, um grande salão, rodeados por estantes e mais estantes de livros; apenas um colchão a compor a arrumação miserável que os intelectuais adoram proclamar; ele, sentado numa escrivaninha teclando com elegância numa velha máquina de escrever; ela, despojada sobre o colchão, nua, com belas coxas à mostra, fumando um cigarro e se deliciando com uma taça de vinho a observá-lo em silêncio; ele então daria algumas pausas de vez em quando para admirá-la ali no chão esperando pelas próximas páginas, esperando por ele quando finalmente pudesse interromper o processo para se jogar em seus braços; seria feliz se assim fosse – só os dois. Terminariam sempre juntos à noite depois de sexo, leituras em voz alta, críticas; seria importante apenas agradá-la com suas histórias, ninguém mais. Nada lhes faria tanta falta. Arte, sexo, cigarro e bebida. Tudo o que a mente precisa para fugir da ansiedade, da frustração e da sensação constate de que sempre está faltando alguma coisa. Acordou de seus devaneios através dos grandes olhos notáveis de Ester que sorria e o inquiria em busca de mais detalhes de sua fantástica história. Nesse instante ele sentiu-se uma pessoa irreal, um personagem. Faltava narrar a grande virada espetacular que mudou tudo em sua vida.

RESENHA:

Eis os protagonistas deste livro: um estupro, uma criança com paralisia cerebral (e que, misteriosamente, deixa de crescer aos dois anos de idade), uma profunda depressão e o amor (o abstrato e simbólico amor) como única fonte de cura, perdão e redenção.


Para aqueles que irão se aventurar por essa história, o melhor seria não adiantar nada ou quase nada do que se passa nesse livro. A surpresa que se dá a cada página e com o desenrolar da trama é o maior mérito de Mike Sullivan, algo que pode ser observado nos outros dois romances que escreveu: “Retorno ao Pó” e “No Vale de Ossos Secos”.

O autor define a experiência de ler seu livro como o embarque numa montanha russa às escuras, onde o leitor nunca sabe onde se dá a próxima queda e a que profundidade essa queda o levará.

Numa trama bem arquitetada, que se apresenta com variações entre tempo presente e tempo passado, esse romance promove um renovo à linguagem literária brasileira, com uma narrativa inteligente que se preocupa com a condição psicológica de cada personagem (seus abismos, seus conflitos). É como estar diante de uma história incompleta que vai se fechando na medida em que se avança por ela. As peças são dadas aos poucos. Nesse sentido, o leitor sente-se também um participante ativo na construção do enredo. 

R$ 35,00
396 páginas
ISBN: 978-85-7984-460-7
Os interessados devem entrar em contato por e-mail:
mikesullivann@yahoo.com.br

sábado, 20 de outubro de 2012

TENHO FANTASMAS NA CABEÇA


Numa pequena cidade do interior
nasce o escritor.

A lua está cheia.
Uma enchente varre tudo o que vê pela frente.
Um terremoto do outro lado do mundo deixa vítimas.
Um pregador no norte, a crer no fim do mundo,
Faz com que uma multidão cometa suicídio coletivo
e também se mata ao final.
O mundo não acaba.

Uma criança prematura.
Pouco peso, indefesa.
Internada por dias numa maternidade cheia de ratos.

Os ratos e as bostas dos ratos
o seguiriam por todos os cantos.
Não só os ratos, mas todos os sinais deixados
Por aquela noite.

Muitos disseram que não ia vingar.
Muitos atribuíam aos sinais
o fato da criança ter crescido esquisita, estranha.
Muitos tinham medo.

Uma feiticeira diria ao jovem escritor,
anos mais tarde,
que todas os suicidas da noite do seu nascimento,
encontram-se ao redor dele,
a sussurrarem intermináveis histórias,
a se arrependerem continuamente.
Dirá ainda que são esses espíritos
que o estimulam a escrever,
a contar interessantes histórias.
A materialização no papel
é a única forma de ganharem vida novamente.

O escritor não acreditará.
Em pouca coisa acredita.
Mas essa hipótese o atormentará um pouco mais.

Verdade ou mentira,
ele tem fantasmas na cabeça.

Tenho fantasmas na cabeça. 
E bosta de rato no chão do meu banheiro. 
Sei que eles estão aqui a me observar.