sábado, 31 de março de 2012

nós que aqui estamos, por vós esperamos

Documentário de Marcelo Masagão, Brasil, 1998.

Com imagens de arquivos, extratos de documentários e de algumas obras clássicas do cinema, o filme faz uma retrospectiva das principais mudanças que marcaram o século XX, retratando tanto os personagens que entraram para história, como homens comuns que em seu cotidiano também fizeram a história desse século.

Postei apenas três partes do filme que se encontra disponível na íntegra no youtube, em oito partes.

Uma bela misura de imagens e música que emociona.




domingo, 25 de março de 2012

a compreensão de ser diferente

desde muito cedo percebi que era um ser diferente. eu almejava outras coisas, desejava o conhecimento. mesmo assim me esforçava para fazer parte de algum grupo, para ser comum... com o tempo, eu achava que as coisas mudariam. na adolescência pouca coisa se alterou. eu me tornei ainda mais diferente. aos 13 anos escrevi meu primeiro romance num caderno pequeno. eu me isolava para poder escrever e ver televisão. não nego que participava de brincadeiras na rua, ia às festas de aniversário dos meus vizinhos. mas confesso que me sentia um ser estranho em meio a tanta normalidade à volta. uma normalidade que com a chegada da vida adulta acabou por se tornar enfadonha e tediosa.


hoje, com 32 anos, eu aprendi que sou de fato um ser diferente. desisti de acreditar no ser humano, na felicidade e num mundo injusto e que caminha rumo ao fim. alguns me chamam de pessimista e de fato talvez eu seja. a verdade é que eu vejo o mundo através de uma outra ótica. como posso me deixar envolver por um mundo de tragédias, doenças e miséria. não tenho sonhos materiais, não sou um consumidor ferrenho como a maioria dos brasileiros, detesto aglomerações, convenções sociais, sorrisos forçados, falsos elogios e pessoas sem nada a acrescentar à minha existência. tenho sim, confesso, planos para a contemplação e a elevação do espírito, tornar-me um ser imortal através das obras que escrevo, sentir-me útil na medida em que produzo algo. e essas aspirações são de fato a fonte de todos os meus sofrimentos e angústias hoje. tenho de suportar um trabalho difícil que não contribui em nada para o crescimento do meu espírito. meu trabalho tem se tornado uma espécie de veneno que me entorpece com uma promessa de morte que nunca chega. uma pena!!! livros que deixam de ser escritos, livros que não são vendidos. parte de mim morre a cada dia. resignação, torpor, silêncio, tédio. sonhos que se apagam na cegueira de viver sem sentido. pensar é muito.

sinto que poderia muito mais se pudesse me dedicar plenamente aos verdadeiros anseios de minha alma, dotada de um desejo infindável pela transcendência através do conhecimento, da arte e da religião. o que faço no meu trabalho qualquer um seria capaz de fazer, mas o dom que me foi dado é para poucos. começo a sentir que uma vida assim talvez nem valha a pena continuar sendo vivida.

espero confiante que deus ao menos possa me perdoar e entender meus pensamentos que, para alguns, podem ser interpretados como ingratidão e amargura. asseguro a todos que não se trata nem de uma coisa nem outra. aguardo esperançoso o dia em que receberei de seus braços um abraço reconfortante e uma compreensão que hoje, talvez por minha fé limitada e resultado do acúmulo de decepções, eu não consigo entender.

ultimamente tenho lido as obras de arthur schopenhauer e tenho me identificado muito com seus pensamentos.

“num mundo tão irrestritamente comum, todo aquele que for extraordinário irá necessariamente se isolar, e de fato se isola”.

“acostumei-me a suportar demasiado os homens porque cedo compreendi que teria de fazê-lo, caso de algum modo quisesse lidar com eles. todavia esta máxima nasceu de um jovem carente de relações. experiência e maturidade tornam tais relações dispensáveis...”

“o que um homem de minha espécie pensa e sente não tem semelhança alguma com o que as pessoas ordinárias pensam e sentem”.

“tão logo comecei a pensar, entrei em discórdia com o mundo. o mundo tornou-se para mim vazio e ermo! nada encontro no mundo senão homens miseráveis, sofríveis, de cabeça limitada, coração ruim, sentimentos vis...”

ao escrever essas linhas que mais se assemelham a um desabafo nem sei ao certo para quem escrevo. talvez seja para mim mesmo tendo a débil esperança de fazer assim aquietar meu pobre espírito.

domingo, 11 de março de 2012

Vídeo de divulgação



As fotos que compõem esse vídeo foram todas tiradas por mim quando tive a oportunidade de visitar alguns países em 2008: Egito, Portugal, China, Coréia do Sul, Índia, França, Inglaterra, entre outros. O vídeo celebra o lançamento do meu novo livro NO VALE DE OSSOS SECOS, onde o ponto central da história se dá a partir do homem em sua difícil tarefa de se orientar no mundo. São imagens incríveis que revelam o ser humano em suas mais variadas formas, credos e sentidos de existência.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Você conhece a BIBLIOTERAPIA?


A biblioterapia é o uso da literatura como instrumento terapêutico. Pode acontecer de formas diferentes e possui variadas aplicações. As duas formas básicas são: leitura solitária e acompanhada.

Na leitura solitária, há a oportunidade de "diálogo" com pessoas de épocas e locais distantes com os quais identificamos afinidades. O autor e o leitor compartilham suas profundezas. "Ler um livro é ler-se a si mesmo." Marc-Alain Ouaknin, 1996. Nesta forma, o biblioterapeuta atua indicando a leitura a partir da questão apresentada pelo cliente.

A leitura acompanhada subdivide-se em: acompanhada de outra pessoa (qualquer ou profissional de áreas diversas como: psicologia, biblioteconomia, filosofia, arte-terapia, etc.) ou acompanhada de um grupo.

Por ser acompanhada, a leitura de um mesmo fragmento por pessoas diferentes gera multiplicidade de interpretações, abrindo um campo de reflexão de saídas não imaginadas, desconstrução de certezas limitantes, construção de novas verdades, dentre outras reações construtivas e em prol da saúde. "A verdade é peixe difícil de pegar, cada um acha um caquinho reluzente." Adélia Prado

A leitura coletiva mediada por um psicólogo visa identificar fragmentos que potencialmente evocarão histórias pessoais para favorecer a expressão e o acolhimento das emoções despertadas.

Trata-se de uma roda de leitura, onde há espaço para o que foi vivido pelos leitores. O que importa não é o que o autor quis dizer, mas onde o que foi lido toca na história do participante. Uma forma sutil e cultural de desenvolver saúde emocional.

Conheça e desfrute os prazeres e poderes da biblioterapia, conhecendo as palestras, círculos e grupos de discussão. Para quem se interessou eu recomendo a psicóloga Cristiana Seixas (http://www.cristianaseixas.com/) que, além de ser uma grande amiga e incentivadora, possui experiência e capacitação profissional. Com o uso da biblioterapia, Cristiana Seixas tem desenvolvido trabalhos que oferecem resultados edificantes e surpreendedores num mergulho intenso ao poder terapêutico da arte literária.

Para saber sobre a programação e como fazer parte dos círculos e grupos de discussão acesse o link ou o site da Cristiana citado acima:
http://www.cristianaseixas.com/docs/BIBLIOTERAPIA%20FEVEREIRO.PNG

Abaixo postei um vídeo produzido pela Cristiana onde ela comenta e ilustra a técnica da biblioterapia:

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Uma meditação sobre a maldade.


Em final de janeiro entrou em cartaz o filme Precisamos falar sobre o Kevin, baseado no livro homônimo de Lionel Schriver. Assisti ao filme na semana passada e saí do cinema correndo para uma livraria de modo a adquirir o best-seller e dou a dica para que façam o mesmo. Vejam o filme antes e depois leiam o livro! O filme é excelente, mas confesso que ao terminar de ler o livro hoje fiquei perturbado muito além do que fiquei quando abandonei a sala de cinema num silêncio ressentido e cheios de pensamentos a dar voltas em minha cabeça. O filme choca, mas as palavras do livro é de fazer pensar, e muito. Um soco no estômago a cada página, mas a gente não quer abandonar de jeito nenhum e no final, ao ler a última página,  surge um triste pesar pelo fim de algo bom, muito bom!


Recomendo a leitura do livro por dois bons motivos que fazem dessa história incomum e surpreendente:
1) Lionel Schriver utiliza fatos do cotidiano, estampados nas primirias páginas dos jornais americanos: Kevin Katchadourian, um jovem de 16 anos, é o autor de uma chacina em que liquidou sete colegas, uma pofessora e um funcionário da cantina da escola onde frequentava. Lionel Schriver, foge do esterótipo e brilha com originalidade, ao narrar a tragédia do ponto de vista da mãe do garoto, Eva Katchadourian, por meio de cartas que ela escreve ao marido, que também foi assassinado pelo jovem.

2) O livro poderia ter caído numa vala comum de dramalhões onde a única pergunta que permearia em todas as páginas era: por que Kevin fez isso? Mas indo por um outro caminho, Lionel Scchriver desnuda cada personagem, nos revelando suas relações mais íntimas, a sinceridade de Eva ao revelar que de fato no início não desejou ter aquele filho, suas dificuldades para assumir essa nova "função" de mãe, sua irritabilidade com o choro constante de Kevim e as assombrosas características do garoto que desde pequeno já apresentava comportamentos sociopatas, estabelecendo como primeira inimiga sua própria mãe. E a pergunta que fica ao final é: será possivel odiarmos nossos filhos? Há de se ter um pouco de coragem para embarcar nesse livro, mas o incômodo que ele nos causa talvez seja o seu maior mérito!

Veja abaixo o trailer do filme.