domingo, 5 de maio de 2013
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Diário da depressão
Café.
Quem dera a vida fosse como café.
Quente. Excitante. Aconchegante.
Cheiro de paz e alívio que concentra a mente.
Com uma caneca de café fumegante, me debruço sobre a janela.
Hoje tenho coragem para apreciar a paisagem da cidade de pedra.
Ainda que o que vejo não me transporte para um lugar onde queira ficar.
É noite. Ouço o silêncio da morte. Invejo todas as outras vidas que a essa hora estão comemorando as conquistas e prazeres de um dia. Uma multidão de gente faz uma multidão de planos. Enquanto me fixo num só lugar, remoendo passados, o mundo segue. Para onde?
O amor acaba. A vida segue em precipício.
Ouço latidos de cães. Uivos que mais se assemelham a prantos.
Não sei se os cães apenas latem - numa conversa que só eles entendem - ou simplesmente respondem com sofreguidão meus lamentos.
Eu e os cães da noite.
Uma diatribe esquizofrênica.
Quem dera a vida fosse como café.
Quente. Excitante. Aconchegante.
Cheiro de paz e alívio que concentra a mente.
Com uma caneca de café fumegante, me debruço sobre a janela.
Hoje tenho coragem para apreciar a paisagem da cidade de pedra.
Ainda que o que vejo não me transporte para um lugar onde queira ficar.
É noite. Ouço o silêncio da morte. Invejo todas as outras vidas que a essa hora estão comemorando as conquistas e prazeres de um dia. Uma multidão de gente faz uma multidão de planos. Enquanto me fixo num só lugar, remoendo passados, o mundo segue. Para onde?
O amor acaba. A vida segue em precipício.
Ouço latidos de cães. Uivos que mais se assemelham a prantos.
Não sei se os cães apenas latem - numa conversa que só eles entendem - ou simplesmente respondem com sofreguidão meus lamentos.
Eu e os cães da noite.
Uma diatribe esquizofrênica.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Diário da depressão
Custo a me levantar da cama, depois de horas acordado sobre o grosso edredom que ajuda a escurecer ainda mais o quarto. Só de cueca, vou até à cozinha. Bebo um copo de água da torneira. Morna. Não me incomodo. Me apoio na pia, fecho os olhos. Sinto-me zonzo. Dormente. Penso em como será o dia. Em como serão as horas. Minutos. Segundos. Instantes sem a vida que outrora foi minha.
Sem você.
A vida está sendo muito mais difícil sem você.
Tento ao menos tomar um banho. E consigo. O tempo se arrasta um pouco mais enquanto a mente tenta se livrar da dor invasiva. Tento não pensar em nada. Você continua a pulsar em meu peito. Dolorido. Como pude me permitir apaixonar?
Mais um amor impossível numa contagem desumana para qualquer coração humano.
O mais novo amor impossível sempre o remeterá ao mesmo sofrimento do primeiro.
Nunca esquecerei quando, aos 15 anos, quase morri de tanta amar.
O amor não deveria nos machucar tanto.
Fecho o chuveiro. Deixo o corpo se arrepiar de frio. Penso ser essa a sensação salvadora. Sentir algo real em meu corpo talvez possa desviar a dor abstrata em meu peito. Visto uma roupa simples. Aliás uma roupa que já venho vestindo há dias. Tem cheiro ruim. Suor. Azedo. Meu cheiro está ruim.
Coloco um pouco de água no fogo pra ferver. Um café irá me fazer bem. Minha mãe sempre me serve um café na intenção de me fazer bem. Penso no amor dela. Quero colo. Ela está longe. Estou sozinho neste apartamento sombrio. Ninguém disposto a ouvir minhas lamúrias.
Bebo o café. Volto para a cama. Cubro meu rosto com o grosso edredom. Desejo apenas que o dia seja mais curto, que a vida seja mais curta.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Diário da depressão
Hoje estou a sentir muita dor. Na alma. No peito. Nos pés, nas pernas, na cabeça e nos olhos de onde só o que se tem agora é uma sequidão depois de um resto de lágrimas.
Chego em casa, sento-me as pressas no sofá, como se a qualquer momento pudesse cair. Não acendo a luz. Não abro a janela. Penso no meu silêncio. Penso no que posso fazer para abrandar a dor. Nada encontro em resposta. Fecho os olhos. Busco por pensamentos positivos. Mas tudo é dor.
Hoje tudo é dor. Dor maior que a de ontem. Dor que já antevê o dia desastroso que virá amanhã.
Tenho tido medos enormes de mim. A hipótese do suicídio, de ir embora. Nunca antes (mesmo quando a depressão estraçalhou meu corpo e minha mente dez anos atrás) eu estive tão certo de que morrer talvez seja a única solução para o alívio da dor.
Dor... Só Dor. Presente, passado e futuro resumidos em dor.
Arrependimentos, medo, solidão. Dor.
Num esforço de sair da paralisia, arrasto-me até o banheiro. Tiro as roupas as pressas, temendo desistir. Abro o chuveiro de água morna. Mas o pouco que aguento em pé não me alivia a dor. Sento sobre as pernas. Abaixo a cabeça e o choro convulsivo retorna. Meus urros de dor e morte não me permitem mais escutar o som tranquilizador das águas caindo sobre minha cabeça. O som que se ouve é de tempestade, catástrofe. Água, urros, dor, morte.
Choro e esqueço-me de onde estou. Apoiando-me nas paredes que deslizam, custo a me colocar de pé. Desligo o chuveiro. Apago as luzes. Fecho a porta do quarto. Me encolho na cama. Penso em Deus, no milagre da cura. Penso estar muito longe de alcançar qualquer coisa. Choro de novo. Quero apagar de vez. Quero apenas ir embora. Me deixe ir embora.
Chego em casa, sento-me as pressas no sofá, como se a qualquer momento pudesse cair. Não acendo a luz. Não abro a janela. Penso no meu silêncio. Penso no que posso fazer para abrandar a dor. Nada encontro em resposta. Fecho os olhos. Busco por pensamentos positivos. Mas tudo é dor.
Hoje tudo é dor. Dor maior que a de ontem. Dor que já antevê o dia desastroso que virá amanhã.
Tenho tido medos enormes de mim. A hipótese do suicídio, de ir embora. Nunca antes (mesmo quando a depressão estraçalhou meu corpo e minha mente dez anos atrás) eu estive tão certo de que morrer talvez seja a única solução para o alívio da dor.
Dor... Só Dor. Presente, passado e futuro resumidos em dor.
Arrependimentos, medo, solidão. Dor.
Num esforço de sair da paralisia, arrasto-me até o banheiro. Tiro as roupas as pressas, temendo desistir. Abro o chuveiro de água morna. Mas o pouco que aguento em pé não me alivia a dor. Sento sobre as pernas. Abaixo a cabeça e o choro convulsivo retorna. Meus urros de dor e morte não me permitem mais escutar o som tranquilizador das águas caindo sobre minha cabeça. O som que se ouve é de tempestade, catástrofe. Água, urros, dor, morte.
Choro e esqueço-me de onde estou. Apoiando-me nas paredes que deslizam, custo a me colocar de pé. Desligo o chuveiro. Apago as luzes. Fecho a porta do quarto. Me encolho na cama. Penso em Deus, no milagre da cura. Penso estar muito longe de alcançar qualquer coisa. Choro de novo. Quero apagar de vez. Quero apenas ir embora. Me deixe ir embora.
terça-feira, 23 de abril de 2013
O amor me faz falta
Quando o amor acaba nada mais importa. As coisas
perdem totalmente o sentido. Quando o amor acaba só o que fica é o vazio. Um
silêncio em tudo à volta. Um grito de
muitas almas que corta o interior em constante uníssono, desafinado. Berros do
desespero que lhe corrompe o ser a dizer incessantemente que a vida perde a
razão de existir porque você jamais terá a pessoa que ama. Simples ficar
quieto, sem voz. Impossível calar os pensamentos. O amor acaba e a vida segue
em precipício. O pior é sermos privado da convivência no mesmo mundo. O amor
nunca devia terminar. Para sempre o amor deveria ser a mais doce das criaturas.
Para sempre o amor deveria ser aquilo que de melhor a vida pode lhe oferecer.
Aos poucos o silêncio é só o que se ouve. O
amor longe daqui. Em outros corações. Exceto no meu que só sabe abrigar tristeza
e dor. Em território onde tristeza e dor abrangem o amor fica impedido de
acampar.
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